Tudo sobre a conjugação de “avoir fait” e seus diferentes significados

A forma « ter feito » associa o auxiliar « ter » ao particípio passado do verbo « fazer », um dos verbos mais utilizados em português. Por trás dessa construção aparentemente simples, escondem-se vários tempos compostos distintos, regras de concordância específicas e pelo menos três valores semânticos que as gramáticas recentes se preocupam em distinguir. Este artigo analisa essas diferenças tempo a tempo, e depois detalha as armadilhas de concordância e as nuances de sentido.

Tempos compostos formados com « ter feito »: tabela comparativa

De acordo com o tempo em que se conjuga o auxiliar « ter », a forma « ter feito » muda de nome e de função. A tabela abaixo resume as principais construções.

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Tempo composto Auxiliar conjugado Exemplo Valor temporal
Pretérito perfeito (indicativo) tive, tiveste, teve, tivemos, tivestes, tiveram Eu fiz meus deveres Ação concluída, ligada ao presente
Mais-que-perfeito (indicativo) tinha, tinhas, tinha, tínhamos, tínheis, tinham Ele tinha feito tudo o que podia Ação anterior a outra ação passada
Pretérito mais-que-perfeito (indicativo) tivera, tiveras, tivera, tivéramos, tivéreis, tiveram Quando ele tiver feito a mala, partiu Anterioridade imediata (língua literária)
Futuro do presente (indicativo) terei, terás, terá, teremos, tereis, terão Eu terei feito a limpeza antes do seu retorno Ação concluída no futuro
Condicional passado teria, terias, teria, teríamos, teríeis, teriam Eu teria feito diferente Hipótese não realizada
Subjuntivo passado tenha, tenhas, tenha, tenhamos, tenhais, tenham Embora ele tenha feito esforços Fato consumado em um contexto subjuntivo

Para aprofundar a conjugação de ter feito e os múltiplos sentidos do verbo « fazer », o detalhe de cada modo e de cada tempo permite esclarecer a maioria das ambiguidades.

O pretérito perfeito continua a ser a forma mais frequente na fala e na escrita cotidiana. Em contrapartida, o pretérito mais-que-perfeito (« tivera feito ») se limita a relatos literários e a orações subordinadas temporais introduzidas por « quando », « assim que » ou « depois que ».

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Professor de português diante de um quadro negro com a conjugação do verbo ter feito escrita com giz

Concordância do particípio passado « feito » diante de um infinitivo

O particípio passado « feito » obedece à regra geral de concordância com o COD anteposto quando é empregado sozinho: « Os erros que ele cometeu ». A situação muda radicalmente quando « feito » precede um infinitivo.

« Feito » seguido de um infinitivo permanece sempre invariável. Esta regra, confirmada pelas retificações ortográficas e lembrada nas gramáticas de referência, se aplica sem exceção.

  • « Os vestidos que ela mandou fazer » (e não « feitos fazer »): o sujeito « ela » não realiza a ação de « fazer » no sentido pleno, ela a encomenda.
  • « As crianças que ele fez comer »: « feito » está fixo, é o infinitivo « comer » que carrega a ação.
  • « As medidas que ela fez tomar »: mesma lógica, o COD « medidas » se refere a « tomar », não a « feito ».

Essa invariabilidade distingue « feito » da quase totalidade dos outros particípios passados empregados com um infinitivo (« deixado », « visto », « ouvido »), para os quais a concordância depende do papel do COD em relação ao infinitivo. A forma « feito + infinitivo » funciona como um bloco verbal único, às vezes chamado de construção factitiva.

Três valores semânticos de « ter feito » em português contemporâneo

As gramáticas descritivas recentes, notadamente a Gramática Metódica do Português (Riegel, Pellat, Rioul), distinguem pelo menos três leituras possíveis de uma mesma forma « ter feito ». Esses valores não são intercambiáveis e modificam o sentido da frase.

Resultado alcançado

A frase enfatiza a tarefa concluída e seu resultado visível no momento da enunciação. « Eu fiz meus deveres » significa que os deveres estão prontos, disponíveis. O falante fala do resultado, não do processo.

Experiência de vida

O advérbio « já » ou o contexto sinaliza que o falante passou por uma situação pelo menos uma vez. « Eu já fiz teatro » não diz nada sobre o momento preciso da ação. O valor de experiência liga uma vivência passada à identidade presente.

Causa ou justificativa de um estado presente

O pretérito perfeito « ter feito » explica por que o falante se encontra em um certo estado. « Estou cansado, fiz uma longa viagem. » Aqui, a ação passada não é o assunto principal da frase: ela serve de prova ou razão.

Distinguir esses três valores ajuda a escolher o tempo apropriado em um relato. No mais-que-perfeito, o valor de experiência torna-se « eu já tinha feito teatro naquela época », e no futuro do presente, o resultado alcançado se projeta: « eu terei feito meus deveres antes do jantar ».

Estudante concentrado revisando a conjugação de ter feito em uma biblioteca universitária cercado por manuais de gramática

« Ter feito » no discurso indireto ao passado

Quando se transpõe um discurso direto para o discurso indireto passado, « ter feito » se transforma de acordo com a concordância dos tempos. « Ele me disse que tinha feito tudo o que podia » substitui « eu fiz tudo o que podia » do discurso direto.

Essa mudança para o mais-que-perfeito no discurso indireto é sinalizada no Bom Uso (Grevisse e Goosse) como uma tendência consolidada do português contemporâneo. Ela se impõe assim que o verbo introdutório está no passado (« ele disse que », « ela me explicou que »).

No condicional passado, a forma assume um valor hipotético no discurso indireto: « Ele afirmou que teria feito melhor com mais tempo. » O falante não relata mais um fato consumado, mas uma hipótese atribuída a outra pessoa.

Confusões frequentes entre « faço », « feito » e « feitos »

A proximidade fonética entre essas formas gera erros recorrentes na escrita.

  • « Faço » (com um -s) corresponde à primeira e à segunda pessoa do singular no presente do indicativo, assim como ao imperativo: « Eu faço », « Tu fazes », « Faz atenção ».
  • « Feito » (sem -s) funciona como terceira pessoa do presente (« ele faz bonito »), como particípio passado masculino singular (« eu fiz ») e como nome masculino singular (« um fato diversificado »).
  • « Feitos » (com -ts) é o plural do nome (« os fatos estão lá ») ou o particípio passado acordado ao masculino plural quando é empregado sem infinitivo (« os bolos que ele fez »).

A distinção repousa sobre a análise gramatical da frase: identificar se « feito » é um verbo conjugado, um particípio passado ou um nome permite decidir.

O verbo « fazer » pertence ao terceiro grupo, o que explica suas formas irregulares (« nós fazemos » com o radical « faz- », « vós fazeis » e não « vós fazeis »). Essas irregularidades, herdadas do latim facere, afetam principalmente o presente do indicativo e o subjuntivo.

Nos tempos compostos, a dificuldade se concentra na concordância do particípio passado. A regra de invariabilidade diante de um infinitivo continua a ser o ponto mais discriminante para escrever corretamente « ter feito » em todos os contextos.

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